Washington quer isolar Teerão economicamente e ameaça países que não colaborem

Washington quer isolar Teerão economicamente e ameaça países que não colaborem

O secretário do Tesouro norte-americano apresentou, esta segunda-feira, um plano para a asfixia económica do regime iraniano, avisando que os países que não participarem nas sanções norte-americanas, "partilharão o isolamento do Irão".

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Evelyn Hockstein - Reuters

Em conferência de imprensa, Bessent declarou a intenção de “cortar todos os recursos económicos” que “mantêm vivo o regime tirânico iraniano” e disse que o Irão tem apenas dois caminhos possíveis: “isolamento total e uma economia de subsistência, ou um regresso à normalidade com a oportunidade de se reintegrar na economia global".

Para ajudar a esse “isolamento”, Bessent disse que o presidente norte-americano, Donald Trump, estava a ligar a todos os líderes mundiais para cortarem os laços económicos com Teerão.

O secretário do Tesouro explicou que os países terão um "prazo determinado" para encerrar todas as atividades identificadas por autoridades americanas, incluindo o "encerramento das agências bancárias iranianas no exterior".

“Se não tomarem providências, agiremos unilateralmente por meio das autoridades do Tesouro”, avisou, afirmando que as “entidades que facilitares a lavagem de dinheiro para o Irão serão removidas do sistema do dólar americano”
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Questionado sobre se a China também seria afetada por estas sanções secundárias, Bessent afirmou que “ninguém está acima do alcance das sanções americanas”, acrescentando que os países que não alinharem com Washington "partilharão o isolamento do Irão".

No entanto, Bessent recusou atribuir prazos específicos aos países para o corte das relações económicas com Teerão. “Não vou estabelecer prazos, mas não temos paciência infinita”, avisou.
Sanções abrangem cinco setores iranianos
O secretário do Tesouro tinha prometido uma conferência de imprensa para detalhar as sanções a aplicar ao Irão, depois de ter anunciado que um “Dia D económico” estava a chegar.


No entanto, o anúncio de hoje foi de mais ameaças do que medidas concretas.

"Estamos a dar a todos a oportunidade de corrigir comportamentos inadequados", explicou Bessent aos jornalistas. "Por que haveria de querer destruir o sistema financeiro global?", questionou.

O Departamento do Tesouro dos EUA diz ter mapeado as redes, os facilitadores e os canais financeiros que o Irão usa para contrabandear petróleo e evitar as sanções e anunciou que Washington trabalhará com parceiros americanos para atingir qualquer fonte de receita ilícita do Irão. As novas sanções norte-americanas contra o Irão abrangem cinco setores: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo.

O Departamento do Tesouro impôs ainda sanções a quase 60 entidades, indivíduos e embarcações e Bessent avançou que uma “grande instituição financeira” será sancionada “até ao final desta semana por causa do Irão”.
Irão prevê "mais uma derrota" para os EUA
O ministro iraniano da Economia prometeu "uma nova derrota" para os Estados Unidos, garantindo ter um "plano de dois anos" para lidar com a situação. 

Os Estados Unidos "fizeram de tudo para testar a determinação do povo iraniano e dos responsáveis do país, mas falharam sempre. Parece que queriam sofrer uma nova derrota", afirmou o ministro, Ali Madanizadeh, na televisão estatal.

"O governo estava preparado e tem um plano de dois anos para gerir estes eventos", acrescentou.

A porta-voz do Governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, também reagiu às novas sanções norte-americanas. Apesar de admitir “dificuldades económicas”, acredita que o Governo e o presidente do Irão “guiarão o país” nesta fase.

“O Governo e o presidente, com sabedoria e determinação, guiarão o país também por esta fase”, disse.

“Não negamos as dificuldades económicas, mas com bom senso e preservando a unidade, como no passado, superaremos este intenso desafio”, acrescentou.

A nova ofensiva económica contra o Irão foi anunciada por Donald Trump na passada quarta-feira, classificando-a como a "operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país".

A China, parceira económica estratégica do Irão, criticou a iniciativa, argumentando que as "sanções e a pressão" americanas não resolverão o conflito no Médio Oriente.

Teerão, por sua vez, alertou que vão existir "consequências" para os países que aderirem à campanha de pressão económica americana, considerando essas medidas uma "admissão de derrota" por parte de Washington.
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